terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Como foi a minha CCXP


Tudo começou quando descobri que tinha conseguido a mesa para o Artists' Alley na CCXP desse ano, junto com a Má Matiazi. Depois de ter perdido as inscrições do primeiro ano, e de ter sido recusada nas inscrições do ano passado, eu havia algo grande pra comemorar. Esse foi o momento em que decidi finalmente colocar o Black Silence para financiamento coletivo no Catarse, e eu acho que sem essa "motivação" a mais, talvez o Black Silence ainda não estivesse terminado. Talvez ele nunca fosse terminado. Essa possibilidade é um pouco assustadora, mas não deixa de ser verdade. Eu passei por muitos momentos de desânimo e a produção estava parada há bastante tempo (quem me acompanha deve lembrar disso). A questão é que desde aquele momento, as coisas deram muito certo pra mim de uma forma que - não vou negar - eu desejava que desse certo, mas no fundo, sempre ficava com medo de que pudesse não dar.



A realidade de um evento como esse é muito absurda. Mesmo depois de ter enviado todo o material pra gráfica, eu fiquei quase um mês só me preparando pro evento, produzindo material promocional, indo atrás de equipamentos, materiais e decoração pra mesa. E fazendo divulgação, muita. Eu tenho que dizer que, sem isso, talvez o resultado desse evento tivesse sido outro, sabe? Se a preparação pro evento foi trabalhosa, vocês não fazem ideia de como é cansativo o evento em si.

Pra começar, a São Paulo Expo (antiga Expo Imigrantes) fica no extremo oposto da onde eu moro, e o trajeto de ida e volta demorava mais ou menos 1:30. Agora some isso às 12h em que o evento fica ativo e nós ficamos nas mesas... durante 4 dias seguidos. Pois é, não foi fácil. Isso sem contar a dificuldade de acesso ao pavilhão, as tantas burocracias e à pouca assistência ao artista-expositor, que basicamente tem que fazer tudo sozinho e ainda arranjar tempo pra comer ou ir no banheiro. E o barulho absurdo dos palcos vizinhos? Quando não era show de rock, era o stand da Netflix tocando karaokê de 4 Non Blondes umas 6532648876 vezes. And I say heeeyy! What's going oonnn! até o fim dos tempos.



Deixando as dificuldades de lado, o evento foi uma surpresa muito boa. Levei um estoque considerável que eu acreditava ter uma boa margem de sobra, mas o estoque esgotou no domingo antes do evento acabar e isso me deixou super feliz. Muita gente já chegou na mesa conhecendo o quadrinho, ou através do meu canal ou por sugestão de sites especializados e até mesmo sugestão de outras pessoas. Foi uma recepção ótima, e agora me resta esperar pra ver o que as pessoas vão achar da história... xD


A Má também estava com um lançamento em quadrinho, o Morte Branca. Fizemos um poster bem bacana pra chamar a atenção e montamos a mesa toda na ideia do "preto-e-branco" e no sentimento trevoso que unia nossas duas histórias! Hahaha! E ela ainda fez um cosplay do personagem dela, que recebeu vários elogios e chamou bastante a atenção.


Agora me diz se ela não ficou assustadora?! O_O

Tenho que agradecer muito a ela por ter me ajudado a dar conta da mesa, porque o bagulho foi louco! A gente corria de um lado pro outro e mal tinha tempo de respirar. Comer era um luxo. Levamos muitos lanches de casa mas mesmo assim a gente precisava de algo que sustentasse pra ter forças até o fim do evento. Olhando agora, eu acho que teria feito muita coisa diferente. Teria chegado apenas depois do almoço, por exemplo, e teria revesado mais pra cada uma ter mais tempo de folga. Eu acabei ficando meio afobada pela quantidade de gente que acumulava na frente da mesa, tentando dar atenção a todos. Nos últimos dias, nós estávamos absurdamente exaustas e acabamos almoçando na mesa mesmo (revesando), e mesmo vendo que a gente tava com um lanche na mão, algumas pessoas insistiam em serem atendidas. Achei isso um pouco chato, porque no fim das contas, ainda somos humanos e precisamos de uma folga. Achei esse ritmo especialmente insano, e é uma coisa que todo mundo fala sobre a CCXP. Vai entender.


Tirando o cansaço, a melhor parte foi, com certeza, poder encontrar vocês, bater um papo (mesmo que rápido), tirar fotos, enfim, ter esse contato real. Por trás dessa tela temos apenas um vislumbre das pessoas que nos assistem, mas na maioria das vezes são apenas números, uma coisa meio abstrata. Poder conhecê-los e sentir de perto sua admiração é o melhor presente que pude ganhar nesses dias todos, então por isso eu agradeço.


Também fui convidada a participar do Space Jam "O crime do Teishouko Preto" uma espécie de HQ coletiva que conta com mais de 500 quadrinistas, cada um desenhando uma página que é a continuação da anterior. O Doug fez o roteiro e eu ilustrei! =D


E esse sketch aqui eu fiz no caderno do Daniel Esteves, que propôs pra gente "se desenhar cagando". Hahaha! Achei subversivo.


Do resto do evento, não vi quase nada, por falta de tempo mesmo. Dei uma volta no pavilhão e olha, gostei do que vi. Essa galera sabe o faz e não está mentindo quando diz que vai ser épico. Porque foi. Cheio de problemas? Sim. Mas ainda épico. Eu nunca vi nenhum evento desse porte na minha vida. No final das contas acho que Artist's Alley foi uma ótima experiência pra mim. Eu sei que o evento não é igual pra todo mundo, mas pra mim foi muito bom em diversos sentidos. Eu senti que estava fazendo algo grande, que estava representando pessoas, e sendo a inspiração para outras. Eu vi, ouvi e vivi coisas que vão me marcar pra sempre. Histórias de pessoas reais, que acreditam em mim de alguma forma. Isso é impagável. Para os próximos eventos, farei muitas coisas diferentes, pela minha própria saúde física e mental, mas eu precisava disso.


E esse foi o saldo da minha CCXP. Muitos quadrinhos ganhados, outros comprados, e ainda faltou coisa que eu acabei não achando por lá (o AA era absurdamente grande e confuso). Eu sempre priorizo material nacional, de preferência independente, porque o resto eu encontro em livrarias mesmo. É bastante coisa, mas sei que lerei tudo tão rápido que logo ficarei órfã novamente de eventos como esse ;_;


Lembrando que vai ter Lançamento aberto em SP:

Quando: Dia 17/12 a partir das 16h
Onde: Gibiteria (Praça Benedito Calixto, 158)

E o Black Silence já está em Pré-Venda na minha loja online.



terça-feira, 22 de novembro de 2016

A emoção do impresso



Quem faz quadrinho sabe como é emocionante quando a revista impressa finalmente chega! Não é por nada não, eu acredito muito no poder da internet e por isso todos meus quadrinhos estão disponíveis pra leitura online, mas nada supera a sensação de segurar a revista nas mãos, é como se todo o esforço e dedicação tivesse tomado uma forma real.

Depois do Vidas Imperfeitas, passei muito tempo tentando superar a história, tanto que precisei produzir mais uma edição pra poder colocar um ponto final nesse projeto e poder partir pro próximo. Então o Black Silence começou como uma necessidade de fazer algo novo e totalmente diferente do que eu estava acostumada a fazer. As revistas terem chegado significa muito pra mim, porque é a concretização de um projeto muito difícil, e eu agora finalmente sinto orgulho de te-lo terminado. Mais uma missão cumprida, quem diria!




No vídeo abaixo eu conto um pouco sobre a experiência de receber as revistas e vocês também vão poder dar uma bizoiada de como elas ficaram!




Como conseguir sua cópia de Black Silence?


Lançamento na CCXP 2016


Estarei todos os dias do evento no Artist's Alley, na MESA E26, vendendo meus quadrinhos, posters, prints, cartões postais, bottons, originais, e outros!



Lançamento aberto em SP

Quando: Dia 17/12 a partir das 16h
Onde: Gibiteria (Praça Benedito Calixto, 158)


Catarse

Apoiadores da campanha no Catarse poderão pegar comigo sua revista nestes dois eventos! Todos os apoiadores que não puderem buscar sua recompensa irão receber pelo correio.

Vendas Online

Quem não puder ir em nenhum dos eventos ou morar longe, vai poder adquirir sua cópia na minha loja online a partir de Janeiro.



quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Concurso Carro dos Sonhos da Toyota


Pessoal, notícia super hiper mara pra vocês!

Fiz algum mistério lá nas minhas redes sociais sobre algumas gravações que estavam sendo feitas aqui em casa. E agora posso contar pra vocês o que era!!! Fui convidada pela Toyota pra ser embaixadora do concurso de desenho Carro dos Sonhos da Toyota! As gravações faziam parte do vídeo institucional da campanha de divulgação, que eu gravei junto com o Bruno Lima, do canal Walker Desenhos, e com a ganhadora do concurso do ano passado.

Cara, essa foi uma das experiências mais incríveis que eu tive a oportunidade de participar, porque eu fui atriz por um dia, decorando falas e gravando ao som de "luz, câmera, ação!". Tenho que agradecer a toda a equipe maravilhosa e super profissional que me dirigiu e editou o vídeo, porque ficou lindão!

"O Concurso de Arte Carro dos Sonhos Toyota é um concurso cultural e artístico promovido pela Toyota, com o objetivo de estimular a criatividade de crianças e adolescentes entre 04 e 15 anos de idade, trabalhando o tema de educação no trânsito e fortalecendo o relacionamento entre a Toyota do Brasil, sua rede de concessionárias e as comunidades onde estão inseridas."
Como vocês viram, é um concurso para crianças e adolescentes, entre 4 e 15 anos. Mas não fiquem tristes caso sejam mais velhos, chamem o irmão mais novo, os primos, enfim... os prêmios são muito legais, e os participantes concorrem a uma viagem para o JAPÃO!

Confira o vídeo em que participei:




Ficou curioso? Então saiba como participar clicando AQUI.


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sábado, 8 de outubro de 2016

Inktober Semana #1

Ano passado, larguei o Inktober pela metade. Acabei desanimando, e sem ideias do que desenhar todos os dias. Mas esse ano estou seguindo uma lista de temas e tenho começado meu dia "aquecendo" com o Inktober, o que tem sido ótimo, e acho que conseguirei chegar ao fim dessa vez.

Pra quem estava se perguntando que lista do Inktober estou seguindo, não, não é a lista oficial do Jake Parker. Eu e mais as ilustradoras lindas do Art Studio criamos nossa própria lista de temas pra nos desafiar a fazer coisas diferentes. Todos podem seguir esta lista, a única regra é, caso seguirem, usem a hashtag #InkStudioGirls pra divulgar nas redes sociais! =)


E agora vamos as artes da primeira semana!


1. Passagem de Livro


 2. Cena de filme


3. Cenário futurista 


4. Um lugar do passado


5. Ao estilo de outro artista (escolhi Toulouse-Lautrec ❤)


6. Abstracionismo


7. Pontilhismo


Deu tempo até de gravar um vídeo com o tema do dia 4:




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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Porque a internet está me deixando doente



Neste momento, faltam exatas 6 páginas a serem desenhadas do Black Silence para finalmente terminar o quadrinho. E cá estava eu pensando sobre todas as coisas que andam me fazendo mal nos últimos tempos. Já faz alguns meses que comecei a sentir muito forte uma crise que estava muito ligada à internet. Primeiro, alguns casos de cópia e plágio que eu nunca me senti confortável pra falar abertamente, apesar de já ter tocado no assunto antes por aqui. Eu nunca falei sobre isso porque acredito que certos assuntos rendem mais se a gente transformá-lo em algo produtivo, sem contar que às vezes isso dá ainda mais ibope pros "infratores". E se você me perguntar porque nunca denunciei e toda essa parada, eu sinceramente não sei responder, acho que eu não queria comprar essa briga. E na época parecia satisfatório lidar com isso criando uma certa onda de conscientização.

Devo dizer que, apesar de estar de certa forma tentando superar a situação, a verdade é que aquilo tudo estava deixando muitas marcas. Comecei a sentir que nada que eu produzia parecia ser bom o suficiente, sempre "parecia com alguma coisa" que já existia na internet, e as constantes comparações e comentários escrotos não ajudam. Veja bem, eu recebo muito comentário legal, positivo, construtivo. Se for pra botar na balança, eles são sempre a maioria. Mas o problema mesmo é o poder de destruição dos comentários negativos, e eles aumentam todos os dias. Eu achei que depois de anos desde a publicação dos meus primeiros quadrinhos, eu já estaria acostumada com tudo isso, mas parece que tudo hoje tem um efeito diferente sobre mim, um efeito tóxico.

A internet, ou melhor, as redes sociais se tornaram aos poucos tóxicas pra mim, pessoal e profissionalmente. Eu já não me sento mais feliz fazendo coisas que antes me faziam feliz. Eu já não estou mais vendo sentido em muita coisa que antes parecia ser tão certo pra mim. E mesmo assim, continuei fazendo o que fazia, sempre com aquela sensação estranha de que tinha algo errado, mas eu não tinha tempo pra pensar sobre isso ou descobrir o porque aquilo estava acontecendo. Eu apenas segui a maré.

Eu estava trabalhando excessivamente. Fazia semanas que eu não tinha um final de semana livre. E eu não vou reclamar, em época de crise e instabilidade, isso é ótimo principalmente pra um freela. Mas ninguém é de ferro e eu comecei a ficar muito exausta. A campanha do Catarse ainda estava rolando, e aquele estresse todo, devo dizer, começou a me deixar maluca. Era muita coisa ao mesmo tempo, o medo do fracasso e a responsabilidade dos meus freelas diários... eu precisava fazer alguma coisa. Assim que a campanha terminou, e eu tinha um quadrinho pra finalizar, parecia o momento certo.

Comecei a me desligar aos poucos, começando por desligar todas as notificações que ficavam pipocando o tempo todo, depois parei de responder comentários com a mesma frequência (hoje eu tiro algumas horas por semana pra fazer isso, sempre com um critério). Parecia um gesto simples, mas que fez MUITA diferença no meu cotidiano. Não foi uma decisão fácil, pois como freela meu trabalho depende da internet e de fazer divulgação.

Então eu simplesmente parei de entrar no facebook e rolar pela TL. Ninguém merece todo aquele chorume diário, e aquela sensação recorrente de que a vida de todo mundo é melhor que a sua. Atualizo o Instagram as vezes, na esperança de que este pequeno contato com meus seguidores me traga algo de bom. Decidi me focar no Youtube até me dar conta que nem mesmo o Youtube "minha última esperança" parecia estar funcionando bem pra mim. Tudo parece uma grande competição pra ver quem tem mais seguidores, mais visualizações, quem é melhor e mais legal e mais tudo. Pode ser que seja só eu, mas é isso o que eu sinto agora. O que antes me fazia feliz, que era produzir conteúdo pra ajudar as pessoas, que EU SEI o quanto é importante pra mim e pras pessoas, não, nem isso... As coisas pararam de fazer sentido pra mim, e isso é um tanto quanto desesperador.

Não sei quando exatamente isso aconteceu, mas sei onde começou a ficar claro pra mim. E eu estou cansada, não quero mais continuar fazendo as coisas do jeito que fazia mesmo porque nem forças eu tenho pra continuar. Muita coisa mudou, eu me afastei de tudo isso, e hoje consigo respirar um pouco mais aliviada, mas ainda me sinto triste pelo vazio estranho que se instalou no lugar das minhas antigas aspirações. E eu tenho visto mais pessoas, a maioria também produtores de conteúdo, que se sentem do mesmo jeito. É como se algo na internet tivesse morrido. E agora sinto essa necessidade de me reconectar com "o mundo real", os encontros com pessoas reais, família, amigos, tudo que de fato importa e é essencial.

Eu sei que é preciso aprender a usar a internet de forma sadia, mas eu ainda não sei exatamente o que isso quer dizer, ou qual o caminho. Eu ainda amo o que eu criei, meu canal que cresceu tanto, e todas as pessoas que ajudaram a tornar meus sonhos realidade. Eu sou eternamente grata a isso. O problema é que esta é apenas a ponta do iceberg, e eu me sinto numa armadilha, pois muitas vezes quero me distanciar por completo, mas existe uma força, um medo que me mantém refém da internet. Não importa o que eu faça ou pra onde vá, a internet é como uma sombra me dizendo que, sem ela, eu nem sequer exista.