terça-feira, 29 de setembro de 2015

Sobre como somos frágeis...


Nos últimos anos tive uns 3 casos de intoxicação alimentar que foram bem pontuais, coisa de um dia e passou, estava nova em folha. Mas semana passada eu peguei uma virose que me deixou de cama por uma semana inteira. Por "virose" pode-se entender qualquer coisa que aparentemente não tem explicação. A questão é que eu fiquei mal. Muito mal. No primeiro dia, fui pro hospital com sintomas graves de desidratação, como febre, tremores, falta de ar, taquicardia, enjôo. Não sei o que é pior, estar mal nesse estágio ou ter que esperar duas horas pra ser atendida no hospital, mesmo com a pulseira amarela. Tomei soro com alguns remédios e fui pra casa.

Achei que ficaria melhor como das outras vezes, mas a diarreia continuava lá, firme e forte, e continuou pelos próximos dias. No quarto dia, voltei pro hospital, visto que os sintomas continuavam e eu não conseguia comer quase nada desde então. O enjôo era feroz, e só de pensar em comida eu queria vomitar. Fiz um exame de sangue que logo mostrou alteração no fígado; fui direto pra infectologista do hospital, que por acaso, era um amor em pessoa! Ela foi super atenciosa, explicou o que estava acontecendo, pediu uma porrada de exames e me orientou. "Tome muita água, Mari. Mais de 2 litros por dias!". Tomei mais soro e fui pra casa.

Voltei pro hospital dois dias depois, como a médica havia pedido, porque ela queria me acompanhar de perto. Eu ainda estava mal, mas comecei a finalmente sentir alguns sinais de melhora. Tomei soro pela terceira vez, junto com remédios pra enjôo (nunca fiquei tão enjoada na minha vida, terrível!) e meu braço já estava ficando sem condições de tanta picada. Naquele mesmo dia pela manhã, eu havia tirado 6 ampolas de sangue para os testes laboratoriais.



"Moça, tem como pegar a veia em outro lugar?" e a moça ficou olhando meus dois braços com aquele band-aid redondinho sinalizando que eu já tinha picado os dois. "Tudo bem, eu só vou ter que pegar outra veia". Fiquei olhando enquanto ela furava mais uma vez meus gambitinhos (estou com hematomas bem feios até agora no lugar das picadas...).

Acho que foi nesse exato momento que eu comecei a pensar. Eu cheguei em casa com o braço todo furado, me perguntando quando isso ia terminar?! Fazia quase uma semana que tudo aquilo havia começado, e eu não estava comendo quase nada. Calculei ter emagrecido pelo menos uns 3kg nessa brincadeira. Os 3kg que eu lutei tanto pra conseguir durante meses. MESES. Era muito foco e academia. Bom, eu já falei sobre isso em algum lugar do passado, sobre ser "magra de ruim". Ser magra faz parte do meu tipo físico, é como meu organismo funciona. Nos últimos anos tenho lutado com meu peso, pois tive um histórico de doenças relativamente graves, e toda vez eu saía muito magra e tinha que recuperar o que perdi, recuperar minha saúde. Eu faço isso pela minha saúde, pois sou frágil e perco peso muito rápido. Toda vez que fico doente isso gera um ciclo interminável de doença/depressão/perda de peso. A academia foi a única desde que comecei a frequentar que quebrou esse ciclo e me manteve mais saudável por mais tempo, não só por fora mas por dentro.

E então PAH, isso acontece. Eu quis chorar (e chorei um pouquinho) pelos quilos perdidos e pelo esforço que sempre parece ser em vão. Mas então percebi que esses quilos não eram nada, que eu só queria ter vontade de comer de novo. Eu só queria me sentir bem de novo. Os quilos são recuperáveis, sempre. O importante mesmo era ter a minha saúde de volta pra então poder reclamar de todo o resto que não era importante. É só quando acontece algo nesse nível que você começa a perceber o quanto somos frágeis e como nossos problemas não são nada.

Uma das piores noites da minha vida ainda estava por vir, foi provavelmente uma das noites mais quentes do ano aqui em São Paulo, e decidi dormir na sala, que era onde estava "menos quente" aqui em casa. Eu tinha acabado de tomar o antibiótico que a infecto receitara naquele mesmo dia. Acho que eu estava muito fraca mesmo e tive algum efeito colateral por causa disso. Meu peito batia muito forte, era uma espécie de taquicardia. Aquilo me deixava tão aflita que não conseguia dormir. Tomei um dramin pra ver se ele me derrubava de vez, e nada. Eu suava e ao mesmo tempo sentia frio, e eu sentia a pulsação batendo fortíssimo a todo instante. Consegui cochilar algumas vezes, mas logo acordava, meio desesperada com a situação. Minha mãe ficou tão preocupada que mal dormiu essa noite. Eu confesso que também estava preocupada, achei que fosse morrer. Pode parecer drama, mas achei que eu pudesse ter algum piripaque ou desmaiar, mas aguentei firme e tentava ficar calma.

"Mãe, estou com medo de ficar sozinha em casa hoje". Minha mãe só acenou a cabeça e já ligou pro trabalho pra avisar que não iria naquele dia. Nesse dia me forcei a comer de uma forma que nem sei como consegui. Eu comia de pouquinho porque era o que eu conseguia, mas me forcei a comer a cada 1h, pra ir acostumando o estômago. Depois de uma sopa bem caprichada de carne e legumes que eu comecei a sentir menos fraqueza e a taquicardia melhorou. No final desse dia, depois de conseguir ter refeições decentes, eu estava finalmente me sentindo um pouco melhor. Era o melhor que eu me sentia desde que tudo começou, e eu quis agradecer aos céus, porque finalmente estava acabando.

Quando o resultado dos exames chegou, descobri que deu positivo pra um tal de "rotavírus". É só procurar no google que você fica meio assustado. É o tipo de coisa que mata criancinhas. Sério. Como peguei essa treta? Comida contaminada. E então você lembra de tudo o que comeu no dia anterior ao "acontecido" e cara... não vou voltar a comer fora tão cedo.

Eu não sei bem porque escrevi tudo isso, eu senti que precisava compartilhar isso com alguém, e afinal, criei o blog também pra poder desabafar. Algumas coisas acontecem na nossa vida pra gente começar a refletir sobre como a vive, de pequenas coisas que fazemos que tem consequências desastrosas. Afinal, eu precisava ter comido aquela mandioca frita no bar numa noite tão quente e abafada? (obs. tudo isso aconteceu numa semana insanamente quente aqui de sp). Eu nunca vou saber se foi realmente isso, porque passei a tarde na rua e só comi porcaria naquele dia, mas sei lá. Talvez eu deva pensar melhor sobre o que eu coloco pra dentro.

Pela quarta vez, lá ia eu pro hospital visitar a Dra. Camila, mas dessa vez, eu estava me sentindo tão bem que parecia mentira. Ela viu meus exames, disse que estava tudo melhor do que ela previra e só deu umas dicas de alimentação. A anemia que é muito comum depois de quadros como esses, eu não tinha, e nem mesmo perda de massa muscular significativa. Perguntei se poderia ser porque eu costumo fazer academia, e ela disse que com certeza isso ajudou muito. Finalmente uma boa notícia. "Você está de alta, srta Mariana" ela disse, sorrindo. Nunca vou me esquecer da Dra. Camila porque ela me tratou como gente, foi atenciosa, conversou comigo, me acalmou e me explicou tudo ao invés de só receitar remédios e me mandar pra casa. "Qualquer coisa, pode voltar que estarei aqui". Fiz questão de abraça-la e agradecê-la por tudo que havia feito por mim nessa situação tão extrema. Eu me sentia impotente mas tinha um profissional em quem podia confiar, e isso fez toda a diferença no final das contas.

Agora a vida continua, mas com muita academia e mais comida saudável, por favor.

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