quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Uma viagem incrível para Machu Picchu



Faz mais de um mês que voltei do Peru, mas acho que é legal contar um pouco dessa aventura que fizemos pelas terras incas.

Pra começar, tenho que dizer que decidimos fazer essa viagem num esquema "semi-mochilão". A gente não queria fazer toda a rota de chegada pela Bolívia, passando pelo trem da morte (ick), porque seria uma viagem de mais ou menos 5 dias até chegar lá, pegando ônibus de até 14h de viagem. Enfim, treta. Então decidimos ter um pouco mais de conforto e ir e voltar de avião, direto para Cusco. Mas não planejamos muito mais que isso.



Reservamos o hostel em Cusco e compramos as entradas para Machu Picchu, bem como as passagens de trem - o único transporte possível entre Cusco e Machu Picchu, ou pelo menos a gente ACHAVA que fosse. Ao longo da viagem fomos descobrindo que sempre existia um jeito MELHOR e MAIS BARATO de fazer praticamente TUDO, mas é claro que esse jeito não era amplamente divulgado e você só descobria chegando lá e conversando com as pessoas. Ou seja, se você planejou a viagem, por medo, é claro, de ir até o Peru e não conseguir entrar em Machu Picchu, e comprou tudo antes... bom, amigo, você se ferrou bonito. Quer dizer, pelo menos pagou 5x mais caro do que poderia ter saído algumas coisas.

Mas tudo bem. A viagem saiu mais cara do que planejávamos, mas nada que não pudesse ser resolvido, afinal, já tínhamos esse dinheiro reservado pra não passar nenhum perrengue. E acredite, é muito fácil passar perrengue no Peru. A gente foi meio louco em algumas coisas, do tipo não reservar um hostel em Aguas Calientes, que é o "pueblo" que fica no pé da montanha da cidade de Machu Picchu. É de lá que começa a subida pra cidade sagrada. Bom, resumindo, a gente fez tudo errado.







Cusco é linda! Quer dizer, o centro histórico. Assim que cheguei, pensei "nossa, como essa cidade é marrom!". Você olhava e era tudo marrom... talvez fosse a época do ano, inverno, tals. O primeiro choque de realidade é ver a pobreza da cidade, a cidade que fica fora do campo de visão do turista, do caminho do aeroporto até o centro histórico. Não a toa para todos os lados vemos vendedores ambulantes, gente te abordando a cada passo que dá... A cidade inteira vive do turismo. Não se assuste se algum nativo sair correndo atrás de você pedindo por "propina" porque eles sabem identificar quando você tira fotos deles e eles pedem dinheiro por isso.





O que dizer do mal de altitude? Você acha que já vai chegar se afogando na própria saliva, mas o negócio demora umas horas pra bater, e quando bate... Os sintomas são variados mas vai desde falta de ar, tontura, pressão baixa, a enjôos e vômito. Eu tive tudo menos a parte do vômito, e tomei uns cházim de coca pra ver se melhorava. Mesmo passando os sintomas no dia seguinte, era impossível andar na cidade sem sentir aquela faltinha de ar básica (ainda mais porque nosso hostel ficava no topo de uma ladeira...).











No dia seguinte, partimos para o Valle Sagrado, que é um passeio que você faz durante um dia inteiro visitando as cidades sagradas do império Inca. Adorei o passeio pelas paisagens maravilhosas, sério. Nunca vi nada igual. Montanhas e mais montanhas, tão altas que não dava pra colocar numa foto inteira. E o rio que passava por entre elas... durante todo esse tempo fiquei imaginando uma trilha sonora na minha cabeça (depois vocês podem checar tudo no vídeo que vou colocar no final do post).












Pegamos o trem em Ollamtaytambo, depois de um dia inteiro entre ruínas. Chegamos em Aguas Calientes de noite, de trem, cansados, cheios de areia, e sem reserva de hostel.
Parecia uma boa ideia, afinal lemos em muitos sites que a cidade era abarrotada de hostel e o melhor era escolher na hora, ver se tinha água quente e algum conforto nos quartos. Mas tava tarde e os hostels estavam lotados. Era o fim da alta temporada. O estresse bateu, mas conseguimos um hostel de ultima hora. No dia seguinte, descobrimos que a maioria das pessoas subia pra MP antes das 6h da manhã, era 8h e a gente estava indo pra fila... parecia uma cidade fantasma, não tinha mais ninguém. Pegamos o ônibus que levava a galera pra cima, e enfim, chegamos em Machu Picchu.






Olha, era alta temporada, o guia disse que chegava a subir de 5 a 6 mil pessoas por dia. O tour com o guia levou menos de 2h, foi tudo corrido, não dava tempo nem de tirar foto. Estava um sol de torrar e não tinha espaço pra ficar, de tanta gente. Fiquei pensando comigo mesma "cadê o famoso espírito dos incas???". Sei lá, acho que o negócio ficou tão turístico que perdeu o encanto. Eles estão mais preocupados em arrancar dinheiro de turista mesmo... Não comemos nada lá porque um lanche qualquer não saia por menos de 30 soles (lembrando que na época que viajamos, o real estava valendo menos que o sol peruano, acredite se quiser! Estava mais ou menos 1 para 0,75).

Não ficamos muito tempo em MP, e descemos logo que vimos a fila do ônibus ficar cada vez maior. A gente estava cansado pra caramba, com fome e estressado pela quantidade de gente e fila pra tudo. Talvez essa seja uma viagem para fazer em baixa temporada, porque em Agosto, sem condição. Você passa muito tempo estressado e não curte muito o lugar.





Fizemos outro erro em calcular nossa volta para o dia seguinte, ou seja, teríamos mais um dia em Aguas Calientes, uma cidade que não tem absolutamente nada pra fazer e fica isolada num vale. Nada chega lá, a não ser um trem que leva e busca as pessoas. A questão era, o que fazer com um dia inteiro em nossas mãos? As montanhas altíssimas praticamente cercam a cidade, dando essa sensação de opressão. O tédio também era nosso inimigo. Tive a ideia brilhante de fazer a trilha de subida pra MP, que é o caminho alternativo pra quem vai pra cidade. A gente subiria e desceria, apenas pela aventura, e assim o fizemos. Subimos a trilha de mais de mil metros, e muitas, muitas escadas mesmo. Mas foi lindo. A paisagem era maravilhosa. Pode parecer meio idiota, mas achei que essa trilha que fez valer nossa viagem. Gente, se forem pra MP, FAÇAM A TRILHA.




Voltamos para Cusco para mais 3 dias e decidimos turistar mais um pouco. Começamos indo numa ruína muito próxima, o Sacsayhuaman, da onde podemos ver a cidade inteira de cima!





E também fomos fazer compras no mercado de San Pedro, que é um mercado local, onde você pode comprar TUDO mais barato que em outros lugares, desde roupas, gorros, bolsas, sapatos, enfeites, cacarecos, e comida... Muita comida estranha e, meu Deus, como a parte de comida tinha coisas bizarras e anti-higiênicas >_<...





Sim, um feto de lhama mumificado!!!

Bom, e aí pra fechar com chave de ouro, no ultimo dia de viagem eu comi algo estragado (provavelmente um ovo... nunca comam ovos fora de casa, man...) e tive a maior intoxicação alimentar da história. Era vômito e piriri até o fim dos tempos. Fiquei com medo de dar ruim durante o vôo de volta e tomei um desses remédios pra diarréia, que por acaso foi a pior decisão que já tomei. Chegamos no aeroporto e descobrimos que TCHARAM, nosso vôo tinha sido cancelado (!!!!) e que só tinha outro no dia seguinte. Levaram a gente pra um hotel mega chique, e eu tomei um banho de banheira porque né, eu tava merecendo a aquela altura do campeonato. Ainda estava mal, não conseguia comer, parecia que tinha algo entalado na garganta. Forcei a janta o máximo que pude, pra não ficar muito fraca, e depois botei tudo pra fora. Aí me toquei que a coisa ruim ainda tava presa dentro de mim e o remédio pra vômito tava mantendo ela ali. Mas isso foi libertador. Voltei nova em folha, pronta pra o que fosse.

Moral da história: NUNCA comam ovo nem nada cru ou suspeito, por favor.

Tá, falando de hostel agora. Eu nunca tinha ficado num hostel antes desse ano, na minha viagem pra Bonito/MS, e gostei muito da experiência. Você encontra alguns com mais estrutura por um preço razoável, sem ter que gastar uma fortuna em hotéis e nem dormir em alguma espelunca por aí. Em Cusco, ficamos no Hostel Loki, que eu recomendo. Ele é conhecido por ser super "jovem" então tem bar e baladinha a noite, pá, essa coisa de gente jovem (que vocês sabem que eu não sou - sou velha por dentro, mas tá bom, eu curti um pouco hahaha). Senti falta mesmo de um café da manhã incluso. Como boa brasileira eu queria um pão na chapa e um café com leite de manhã, mas a gente resolveu isso fazendo mercado. Em Aguas Calientes a gente ficou no Hostel Pirwa, que tem um chuveiro ótimo com água quente (acredite, isso faz diferença, ainda mais em Cusco que faz 0 graus de noite no inverno!!).

Outra coisa, durante a viagem, fiz um diário ilustrado, que vocês podem conferir na íntegra aqui:




E vocês podem adquirir a versão física do diário na minha loja virtual.

Bom, acho que é isso. Vejam abaixo o vídeo da viagem e sintam de pertinho como tudo aconteceu. Não se esqueçam de deixar comentário! x)




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Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. Gostei do texto! A aventura foi bem interessante, quanto pra você, quanto pra quem leu! Na oitava foto de cima para baixo, a da enorme montanha que não coube na foto, parece ter um casarão (ou dois), "pendurado" bem no meio... é isso mesmo?! Aliás, quando sentir que algo está fazendo mal 'pra caramba', o melhor é botar pra fora mesmo; as vezes, a melhora é instantânea!

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    1. Isso mesmo, essas construções no meio da montanha são uma espécie de templo! Os incas eram muito malucos mesmo, parece que gostavam desse lance de construir coisas na montanha, e quanto mais difícil chegar, melhor! hahahaha

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    Nas ruas e multidões fique atento quando alguém esbarrar em você. O esbarrão pode não ser tão “sem querer”, pois este é um artifício muito usado pelos batedores de carteira no mundo todo.
    Fique alerta quando alguém lhe convidar para dividir um quarto de hotel, levar sua bagagem, sair à noite ou viajar junto com você.
    Veja mais dicas para a viagem a Machu Picchu e Peru
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