segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Minha passagem pelo FIQ 2015, Heroica, e mais!

Eu e a cosplayer que encarnou a Feiticeira Escarlate que eu criei pro Heroica! *o*
Nossa aventura começou na sexta a noite, quando embarcamos de ônibus pra BH. Seria uma viagem de 8h, mas pelo menos tentaríamos dormir um pouco pra conseguir chegar inteiros no evento. Ou melhor: pra que aguentássemos um dia inteiro no FIQ e ainda embarcar de volta pra SP no mesmo dia! Hahahaha. Loucura, não é mesmo? Pra quem não sabe o motivo de tudo isso, leia o post anterior.

Nossa cara de "dormi mal pra caralho, mas tô legal"
Chegamos em BH umas 6:30 da matina, e então fomos atrás de um lugar pra tomar café da manhã e dar o tempo de entrar no evento. Isso incluía trocar de roupa num banheiro minúsculo e fazer alongamentos no joelho no meio de uma padoca. Ah, é, pra quem ainda não sabe, meus dois joelhos decidiram dar PT faz umas duas semanas, então tô fazendo fisioterapia, mas tá foda, enfim, isso fica pra outro dia...



Fomos uns dos primeiros a chegar lá na Serraria e também um dos primeiros a entrar. Quando chegamos ainda tinha coisa sendo montada mas foi ótimo porque pudemos ver tudo com calma pela manhã e planejar nosso dia no evento (que palestras assistir, que quadrinhos levar...?). Achei muito louco que fui reconhecida por algumas pessoas que me acompanham pelo canal do Youtube. Sério, é uma coisa muito maluca. Eu era a criança na escola que passava despercebida, que os professores nem lembravam o nome, e que ficava na minha a maior parte do tempo. Então ser reconhecida por pessoas que não conheço numa cidade tão distante é uma coisa que me deixa muito abismada, mas de um jeito bom. Adorei conhecer todo mundo e ver vocês de pertinho! x)




Daí, encontrei as meninas do Heroica, a exposição da qual participei, e fomos entrevistadas pelo Lady's Comics falando sobre nossa participação. Foi muito legal também saber como rolou o processo criativo das outras autoras, que só fiquei sabendo quem eram há apenas algumas semanas! Fiquei me sentindo super lisonjeada por estar no meio delas participando de algo tão significativo. Eu senti que o FIQ desse ano homenageou as mulheres, ou melhor, a sua produção e sua participação no universo dos quadrinhos de uma forma que nunca senti antes. Era muita garota quadrinista, muita garota apresentando palestras, participando de palestras, sendo entrevistadas, sendo homenageadas. Eu lembro que um tempo atrás respondi numa entrevista pro IG sobre a questão de não ter muita mulher nesse meio. Naquela época eu disse que as pessoas não viam ou fingiam não ver, porque tinha, sim, muita mulher produzindo. Nesse FIQ eu tive a comprovação da minha resposta. Tudo que acompanhei na internet, ví lá refletido, e foi lindo.


Abram a imagem em full pra poder ler o texto de introdução!

Ainda sobre o Heroica, acho que fica bem explicado no VLOG que eu fiz do evento (assista no player abaixo). 5 ilustradoras fizeram a releitura de 5 super-heroínas clássicas, dando a elas nova personalidade, nova história e novo figurino, de acordo com o que acreditássemos que essas personagens deveriam ser. Fica claro que o problema não era apenas as roupas hiper-sexualizadas, mas como poderíamos transformá-las em mulheres normais, com seus objetivos, medos, sonhos, com suas qualidades e imperfeições.



A super-heroína que escolhi foi a Feiticeira Escarlate. Acabei escolhendo ela porque percebi que tínhamos algumas coisas em comum. Ela parece não conseguir controlar todos os aspectos de seus poderes e acaba saindo do controle. Fiquei pensando que, assim como eu, ela teve que lidar com certas coisas sobre si mesma e finalmente entraria numa fase de busca pelo auto-conhecimento.


"Nesta versão, a Feiticeira é uma jovem-adulta que está começando a aprender a controlar seus grandes poderes e numa busca por auto-conhecimento. Depois de alguns acontecimentos devastadores, decide se redimir das destruições que causou fundando uma ONG para ajudar jovens mutantes e também viaja o mundo fazendo palestras para divulgar seu trabalho, defendendo seus novos ideais. Eu não quis tirar dela toda sua sensualidade, que eu acredito que seja parte de sua personalidade, mas acredito também que existem diversas maneiras de fazer isso, sem expor demais ou sexualizar seu uniforme."



E então, além da exposição do nosso processo criativo e dos trajes que criamos, havia uma cosplayer vestindo esse traje e incorporando nossas personagens circulando pelo evento. Fiquei muito feliz quando finalmente encontrei a Paula, que fez a Feiticeira. Ela deve ter me achado maluca quando a vi e gritei "Minha criação!!". Vergonhoso, eu sei, mas não pude evitar hahahaha. Ela ficou incrível e deu um pequeno depoimento que vocês podem ver no VLOG também! x)




Morri.








Bom, então fomos pra palestra com o Jeff Smith, autor de Bones. E cara, melhor palestra do dia! Sério. Sabe quando você fica fascinado pela simplicidade do autor, pela sua história, pelo seu processo e como tudo isso te inspira de alguma forma? Mesmo sendo um autor consagrado, ele passa pelas mesmas coisas, mesmos perrengues que nós, meros quadrinistas mortais. E então, quando indagado sobre a razão pela qual ele faz quadrinhos, ele deu a melhor resposta: "I draw comics because I have to. And I think anyone here who draws comics agrees with that" (Eu faço quadrinhos porque preciso. E eu acho que qualquer um aqui que faça quadrinhos concorda com isso) SIM, JEFF, CONCORDAMOS! 


Minhas considerações sobre o FIQ 2015

- Tinha MUITA mesa de artista. Muita mesmo! Muitos lançamentos independentes e gente que apoiei no Catarse. Fiquei muito feliz com essa visibilidade.

- Os autores, mesmo famosos, estão super disponíveis pra conversar. Entreguei o Vidas para os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá e bati um papo rápido com eles (fiquei tímida e travei... fazer o que! Até Youtuber sofre com timidez hahahahah).

- Conheci muuuuita gente que acompanho apenas pela internetz, revi amigos e conhecidos, fiz alguns contatos e também encontrei alguns de vocês que me acompanham pelas minhas redes. Nossa, adorei conhecer todo mundo, e acho que foi isso que fez meu dia tão bom, apesar de todo o cansaço.

- O evento trouxe esse questionamento sobre representatividade feminina, que acho que tem tudo a ver com o que está acontecendo na atualidade e apenas reflete o momento que estamos vivendo. Não só há mais espaço para autoras mulheres, como há mais interesse das mulheres em consumir quadrinhos. Na palestra do Jeff Smith ele disse que ficou muito feliz em ver que naquele dia da palestra havia um número equilibrado de homens e mulheres assistindo. Estamos no caminho certo!!




Então, pra terminar, fiz uma pequena rapa nas mesas de artista. Não comprei nada na Comix (vou contar um segredo: passei na Comix pra comprar as edições de Vidas pra entregar pro Fabio Moon, porque a esperta aqui não levou nada na mochila... tudo bem que eu não queria ficar carregando muito peso, mas pra minha defesa, foi só isso que comprei na Comix - meu próprio quadrinho... WTF). Minha ideia era pegar os quadrinhos que havia apoiado no Catarse e mais alguns que já estava de olho há um bom tempo. Faltou coisa? Se faltou... mas o rombo no bolso foi grande o bastante por um dia. Mas o melhor de tudo foi conseguir todos autografados pelos artistas /o/

Voltei pra casa capotada num maravilhoso ônibus leito-cama, depois de um Dramin esperto, e só acordei em SP, 8 horas depois, meio assustada e muito agradecida por ter dormido a viagem inteira feito um bebê embalado pelo balanço do busão. É oficial: só viajo de leito a partir de agora! Hahaha. Sério, que poltrona era aquela, DEUS!

E agora, confiram o VLOG desse dia intenso xD






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