quinta-feira, 28 de abril de 2016

Guia do Orçamento para Ilustradores

Foto por Fabian Blank (https://unsplash.com/photos/pElSkGRA2NU)

Oi pessoal, tudo bem? Sei que ando postando pouco, mas estou com diversos projetos em andamento (falarei sobre eles em breve) e postando com bastante frequência no meu canal, tentando seguir um cronograma de postagens e tudo o mais, e em breve conseguirei me ajeitar e postar mais por aqui também, ok?

Seguindo o mesmo esquema da postagem anterior, em que fiz um Guia do Ilustrador, com bastante informação e conteúdo pra vocês, decidi fazer um guia completo de como fazer um orçamento para seu cliente. No meu vídeo Qual o valor da sua arte, dei um panorama sobre como cobrar pelo seu trabalho, mas aqui decidi ser mais objetiva, colocando números pra esclarecer melhor.

Lembrando que este guia é apenas uma sugestão, uma maneira de ajudá-los a fazer seus próprios orçamentos, e não é de maneira nenhuma uma regra. Vocês vão perceber que orçar não é um bicho de sete cabeças e vão se sentir mais seguros pra fazer isso sem medo de errar, cobrar demais ou de menos (não sei o que é pior).


Foto por Negative Space (https://unsplash.com/photos/6cOUbEdwG24)

Antes de tudo, estabeleça o valor da sua hora de trabalho

Pra começar, é legal a gente estabelecer um valor base para sua hora de trabalho, pra que nenhum orçamento saia com um valor menor do que esse. Caso contrário, como dizem por aí, vocês irão "pagar pra trabalhar" se é que me entendem.

1. Liste suas despesas pessoais mensais:
*todos os valores abaixo são ilustrativos, faça as suas contas usando valores reais

Aluguel1000
Contas de água, luz e telefone200
Internet100
Plano de saúde300
Mercado500
Transporte (carro ou transporte público)200
Tributos (IPTU, IPVA...)300
Outras despesas (Netflix, Spotify...)100
Cultura e lazer (cinema, museus...)200
Total2900


2. Liste suas despesas ou investimentos profissionais mensais:
*caso você alugue uma sala ou espaço para trabalhar, não se esqueça de incluir também estas despesas aqui.

Materiais Artísticos300
Equipamentos eletrônicos200
Cursos na área200
Manuntenções gerais100
Total800

Até agora temos:

Despesas PessoaisDespesas ProfissionaisTotal
29008003700

3. Leve em consideração também:

Já listamos tudo o que você GASTA todos os meses, agora precisamos considerar outras variáveis:

Férias: As pessoas se esquecem que um autônomo não tem férias remuneradas, então ele precisa se preparar, de preferência ao longo do ano, para cobrir as férias e não passar perrengue durante esse período. Adicione mais um "salário" ao ano e dividida entre o orçamento dos 11 meses restantes.
Investimento: R$3700 ÷ 11 = R$350

Lucro: Faça um planejamento realista do quanto você quer guardar todos os meses, seja para cumprir uma meta (comprar um carro, um imóvel, abrir um negócio, uma viagem pro exterior?), fazer um pé de meia ou para eventuais necessidades.
Investimento: R$500


4. Some tudo e divida pela horas trabalhadas num mês

Supondo que você trabalhe 5 dias por semana, 8h por dia, um mês terá em média 160h trabalhadas, portanto:

R$3700 + R$350 + R$500 ÷ 160H = R$28

Lembrando que este valor é o valor mínimo da sua hora trabalhada, que nunca deve ser menor que este valor. Ao fazer um orçamento, não devemos levar em consideração apenas as horas trabalhadas, sendo que este cálculo deve ser feito apenas para estabelecer uma base ou "piso" do seu orçamento.


Foto por Alejandro Escamilla (https://unsplash.com/photos/BbQLHCpVUqA)

ANALISE O CLIENTE E A PROPOSTA

Agora partimos para as verdadeiras variáveis do seu orçamento, que vão definir qual será o valor final do seu job.

1. Quem é seu cliente?

O seu cliente é uma pessoa física ou uma editora/agência? Os valores são diferentes quando trabalhamos para o mercado e quando fazemos uma encomenda "pro vizinho". Quando trabalhamos para o mercado, estamos lindando com valores tabelados (caso seja o mercado editorial) e qualquer valor muito fora disso (para mais e para menos) pode ser problemático. Confira a tabela da Adegraf para tirar algumas dúvidas. As ilustrações são tabeladas de acordo com seu tamanho (página dupla, meia página?) e disposição no material (ilustração de capa ou interna?). Quanto as encomendas "pessoais" eu costumo usar valores próximos daquele cálculo que fizemos de hora trabalhada.

2. Qual a visibilidade deste job?

Enquanto os valores do mercado editorial são tabelados e raramente fogem disso, os valores de ilustração para agências ou campanhas publicitárias podem ter uma outra variável: visibilidade. É diferente fazer uma ilustração pra uma campanha de marca pequena e para uma campanha da Nike, não é mesmo? Quanto maior a visibilidade (e a responsabilidade) do job, maior o valor! Por isso, não tenha medo de pesquisar e perguntar sobre o cliente, sobre a campanha, porque assim você elimina algumas "surpresinhas" que podem surgir no meio do caminho, e também não se sentirá desvalorizado.

3. Qual o prazo?

Quando o novo job chega, você acaba precisando reorganizar toda a sua agenda e trabalhos vigentes para encaixá-lo. Quando o prazo é muito pequeno e isso vai demandar mais de você que a sua disponibilidade (de repente tendo que atrasar outros projetos em função disso, ou então virar algumas noites) será preciso cobrar uma taxa de urgência. O mesmo vale para trabalhos que demandem de você mais exclusividade, no caso de te impedir de pegar outros jobs enquanto estiver fazendo esse.

4. Inclua todos os gastos extras

Os gastos com este job fogem da sua lista de despesas tradicional? Inclua no orçamento!

Não se esqueça:

O tempo que você gasta respondendo e-mails, indo a reuniões, desenvolvendo rascunhos, procurando referências, também faz parte do processo criativo do job e deve ser contabilizado!



Foto por Lia Leslie (https://unsplash.com/photos/yjXlyrKIz2A)

O IMENSURÁVEL

Ok, Mary, já montei minhas tabelas, já sei o valor da minha hora de trabalho, já conheci meu cliente, mas e quanto ao valor do meu processo criativo, ou melhor: quanto vale a minha criatividade?!

A maioria dos artistas e ilustradores tem muita dificuldade de calcular um orçamento justamente porque nosso trabalho tem um valor agregado que é completamente subjetivo. Todos precisam pagar contas, é verdade, por isso é importante manter esse lado objetivo de criar tabelas e cálculos de valores reais para manter os pés no chão. Mas ao mesmo tempo, existe todo um lado que também é impossível ignorar.

Por um lado, todo artista deve saber que existe um mercado a ser respeitado, pra não virar a casa da mãe joana. Se cada um cobrar o que quer, vira bagunça. Sem contar que um orçamento muito abaixo do aceitável desequilibra a concorrência e desvaloriza não só o trabalho de quem faz isso, mas de todos os artistas que não conseguem competir com este valor, e dão a impressão de que nosso trabalho pode ser comprado "a preço de banana". Pensa bem: quanto tempo e quanto dinheiro você não investiu na sua formação? Faculdade, cursos, materais, livros, horas e horas de estudo e prática. Por outro lado, se cobrar muito a cima, você não vai conseguir nenhum job.

Existe, sim, um valor imensurável dentro de cada um, incluindo sua experiência na área, sua visibilidade e influência no mundo físico e virtual. Tudo isso tem um peso que deve ser transportado para a hora de orçar.

Vocês vão perceber que o "tempo" ou "horas trabalhadas" não são a forma ideal de calcular um job, porque cada um tem seu tempo, seu processo criativo e trabalha de uma forma. O mais valioso nesse caso, é o que você pode oferecer para seu cliente, o que o destaca e o torna diferente dos outros. Seu estilo, sua técnica, sua marca, seu profissionalismo? Não tenha medo de cobrar pelo que você é capaz de fazer e pelo que sua arte significa pra sociedade. Agora que você tem um pé no chão e já sabe quanto cobrar usando os métodos acima, aquele extra, o "imensurável" é você quem vai decidir.


Dicas finais:


  • Alguns vão reclamar que é muito caro, e vão tentar te dissuadir de fazer mais barato. É preciso ter jogo de cintura pra saber se vale a pena ou não ceder um pouquinho. Agora que você sabe reconhecer um valor justo, não tenha medo de dizer não.
  • Passe longe de "ilustrações em troca de divulgação". Estas pessoas só estão querendo ganhar vantagem em cima do trabalho sério de um artista.
  • Analise as propostas de parceria com sabedoria, listando lados positivos e negativos. Você tem que ganhar algo com isso também.
  • Faça contratos!



Espero que tenham gostado deste post e que tenha sido de alguma forma útil pra vocês. Se ainda tiverem dúvidas, deixem nos comentários e até a próxima ;D


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Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Meu Deus! Esse post ficou muito foda. Agora dá para ter uma noção melhor de quanto cobrar.

    Obrigado Mary.

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  2. Adorei suas dicas, tenho muito dificuldade de cobrar meus trabalhos, principalmente por não ser muito conhecia, acabo desvalorizando um pouco meu trabalho.

    http://izcordeiro.blogspot.com.br/

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