segunda-feira, 30 de maio de 2016

Resenha do livro "Como eu era antes de você"


Já fazia algum tempo que eu estava em crise, não conseguia ler nenhum livro inteiro desde o final do ano passado. Na verdade, desde que comecei a trabalhar como freela, tenho lido cada vez menos, e isso tem me deixado um pouco triste. Não conseguia me envolver com nada, nenhuma história parecia interessante, era como se eu já tivesse lido algo parecido, ou simplesmente não conseguia avançar na leitura por falta de interesse. Bem, eu gosto de ler romances e dramas, mas tenho certa dificuldade em encontrar boas histórias que fujam da temática adolescente ou dos clichês das comédias românticas. E eu preciso sempre de algo mexa comigo, que me tire do chão e me faça sentir alguma coisa. Meus livros preferidos são tragédias de certa forma, tirando algumas excessões. As pessoas no geral estão buscando um final feliz pra que possam fugir da vida real, mas eu nunca me conformei com um final "felizes para sempre" e estes no geral são os que me deixam mais frustrada, por serem justamente o que se espera de um romance.

Depois de ter passado pela frustrante experiência de ler um livro de 600 páginas sendo que vivi 599 páginas de agonia extrema, pra na ultima página, os personagens finalmente terem o seu "felizes para sempre". Eu ainda me lembro da dor que foi estar chegando perto do final e nada ter se resolvido, e eu meio que já estava adivinhando o que ia acontecer.

Curiosamente, meu interesse por "Como eu era antes de você" se deu após assistir o trailer do filme e pensei: PRECISO LER ESSE LIVRO. Aproveitei que estava indo viajar e ficaria muitas horas no ônibus para tentar uma nova leitura. O livro me fisgou logo de cara, e é muito fácil se indentificar com Lou, a personagem principal, afinal todos nós já nos perguntamos alguma vez: minha vida vai ser só isso? Ela vive como se estivesse numa inércia, numa vidinha medíocre e sem grandes ambições. E então acontecem coisas, ou pessoas, que nos dão uma nova perspectiva sobre tudo, e é assim que ela conhece o Will, um homem de 35 anos que ficou tetraplégico após um trágico acidente. Ele, que era um cara extremamente ativo, que vivia a vida ao máximo, não conseguia superar a perda de tudo que um dia ele foi e dava significado pra sua vida. Logo de cara nós somos apresentados pra essas situações extremas, onde o que consideramos certo e errado se torna uma coisa nebulosa. Eu fico imaginando como seria não poder mais desenhar, e essa possibilidade é uma das coisas mais tenebrosas que sou capaz de imaginar pra mim.

A narração é extremamente sensível, e a forma como os personagens se envolvem e transformam um ao outro te fazem mergulhar na história de tal forma que era como se mais nada existisse ao redor. Eu estava esperando algo que me tirasse do chão e o que eu ganhei foi um abalo sísmico. É impossível não ler e não se devastar, não chorar litros mesmo depois de terminar o livro - só de lembrar dele o olho já dá aquela embaçada. O melhor de tudo é que eu não conseguia adivinhar qual seria o final, o que foi ótimo, pois ele me surpreendeu. Foi aquele tipo de "final digno" que te faz sentir satisfeito, como se um ciclo tivesse chegado ao fim, mesmo que ele tenha partido meu coração em mil pedaços. Talvez ainda passarei alguns dias pensando sobre tudo o que esse livro quer dizer, e o que significa pra mim, e afinal, gosto desse tipo de livro que te faz sair da zona de conforto e repensar várias coisas sobre sua própria vida. E ao mesmo tempo, me inspira também a produzir. Esse livro com certeza vai pro meu hall de livros favoritos, e vai ficar pertinho de "Desejo e Reparação".

Algumas pessoas me perguntaram se valia a pena ler, e acho que depende do que você espera de um livro. E você pode amar ou odiar, mas eu realmente acho que é impossível ler sem se sentir tocado por ele de alguma forma.

Estou esperando ansiosamente pelo filme que vai estrear agora em junho, com a Daenerys (lol) e o lindo do Sam Claflin. \o/

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